Caros (as) colegas,
Há algumas semanas representantes da SAERJ, da COOPANEST-RJ e da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro vêm mantendo entendimentos para tentar alocar médicos anestesiologistas em alguns hospitais estaduais. As negociações estão sendo difíceis e, até o momento, não chegaram a bom termo. Entretanto, diante de algumas críticas, acreditamos ser importante esclarecer aos anestesiologistas do nosso Estado os motivos que nos levaram a iniciar esta negociação.
Estamos conscientes de que a remuneração oferecida (R$ 6000,00 por 36 horas semanais), principalmente tratando-se de "produção cooperativista", está longe de representar o desejado e o merecido pelo trabalho exercido nestes hospitais. No entanto, até o momento, desconhecemos oferta superior em qualquer outra localidade ou hospital no Estado do Rio de Janeiro (público ou privado). Também sabemos o quanto é necessário trabalhar na chamada "clínica particular" (medicina suplementar), para se receber remuneração semelhante, salvo em casos especialíssimos.
A conclusão favorável desta negociação junto à Secretaria nos proporcionaria maior capacidade para revisar esta remuneração, num futuro próximo, em valores superiores à inflação, sempre no sentido de obter ganhos reais para o anestesiologista. Da mesma maneira, estaríamos autorizados a exigir condições de trabalho adequadas, tanto do ponto de vista da assistência ao paciente (aparelhos, monitorização, drogas), como em relação à segurança e conforto do anestesiologista (instalações, alimentação, número de profissionais por plantão, etc.). Estaríamos também em melhor posição para garantir a habilitação dos profissionais admitidos, exigindo a absorção de anestesiologistas certificados, por CET/SBA e/ou Residência Médica, acabando de uma vez com a lamentável contratação de médicos sem a formação apropriada e a indecorosa conivência de alguns serviços com a utilização de estagiários estrangeiros para "solucionar" problemas nas escalas de plantão. Estaríamos, deste modo, agindo para resgatar um direito da população - ser atendida por legítimos médicos anestesiologistas.
Considerando o acima exposto, conclui-se que a discussão encontra-se longe de estar resolvida, até mesmo porque não se trata apenas da questão salarial (como alguns parecem ou querem acreditar). Estamos convencidos, entretanto, que devemos continuar debatendo o problema de forma madura, sempre abertos a propostas dignas e procurando, de forma serena, mas firme, melhorar as condições da prática anestesiológica em nosso Estado.
Por fim, a Diretoria da SAERJ, ciente de suas responsabilidades institucionais, nas quais fomos investidos pela maioria dos anestesiologistas fluminenses, não se permite a irreverentes "palavras de ordem" e "bandeiras desfraldadas", de fáceis efeitos cênicos, mas de objetividade questionável. Continuaremos a trabalhar com a habitual seriedade, sempre buscando termos factíveis para uma negociação digna e justa das nossas demandas.
Estamos convencidos que estas palavras tenham esclarecido algumas dúvidas, respondido a alguns questionamentos, e, principalmente, tenham revelado o quanto toda a diretoria da SAERJ se preocupa com aquele que é motivo e razão da nossa dedicação - você, anestesiologista do Estado do Rio de Janeiro.
Diretoria da SAERJ
SAERJ
Sociedade de Anestesiologia
do Estado do Rio de Janeiro
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