Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro






  • A importância da medicina perioperatória

  • Apesar da anestesia ser hoje um procedimento médico de altíssima segurança, que promove analgesia, inconsciência, relaxamento muscular e equilíbrio das funções vitais, ela ainda provoca muito medo no paciente cirúrgico. Esse medo é a principal causa de ansiedade pré-operatória no paciente, que chega a se preocupar muito mais com o risco da anestesia do que com o próprio resultado da cirurgia. A Sociedade de Anestesiologia do Estado do RJ (SAERJ) quer mudar essa realidade e mostrar que o anestesista está ao lado do paciente, cuidando dele antes, durante e após a operação, enquanto que o cirurgião tem a total liberdade e confiança para desempenhar o seu trabalho.


    Devido à sua doença, o paciente procura primeiro o médico cirurgião, sem se preocupar com o anestesiologista, que geralmente é indicado pelo cirurgião como sendo aquele de sua confiança. Esta situação acabou transformando o anestesiologista numa “figura coadjuvante” no ato cirúrgico, porque o seu trabalho é visto não como o primeiro objetivo, pois o paciente não está na sala cirúrgica tão somente para ser anestesiado e sim para ser operado.


    No entanto, a SAERJ quer mudar esse perfil de atuação do anestesiologista e aprofundar a relação médico-paciente e, para isso, está estimulando entre os especialistas a consulta médica pré-anestésica, para que num ambiente de consultório ou ambulatório, haja a oportunidade, sem a premência da cirurgia, de conversar com o paciente, passar confiança e dirimir todas as dúvidas. Já está comprovado que o índice de suspensão no dia da cirurgia é muito menor quando acontece uma consulta pré-anestésica.


    Essa mudança de atuação do anestesiologista vem acontecendo desde a implantação da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1802/2006, que dispõe sobre a prática do ato anestésico. Com a resolução, o especialista teve a medicina perioperatória acrescida à sua responsabilidade, uma vez que o documento recomenda uma avaliação pré-operatória do paciente em consulta anestesiológica, alguns dias antes da admissão na unidade hospitalar. Mantém-se, entretanto, a obrigatoriedade de se realizar a avaliação pré-anestésica intra-hospitalar e conduzir as anestesias durante o ato cirúrgico, assim como acompanhar e dar alta ao paciente na sala de recuperação pós-anestésica.


    A consulta pré-anestésica, realizada com antecedência, fora do ambiente hospitalar, é o grande diferencial que foi colocado na resolução, que representa uma quebra de paradigma da atuação do anestesiologista. É uma proposta que, a curto prazo, pode parecer complicada ou uma opção ruim, mas a longo prazo, vai agregar valor ao trabalho do anestesiologista, garantindo a qualidade do atendimento do paciente e a segurança no ato anestésico.


    É importante ressaltar que o anestesiologista é o clínico do período operatório e que ainda atua como um intensivista, uma vez que, quando o paciente é submetido a uma anestesia geral, ele está num coma induzido, controlado e reversível, que necessita de todos os cuidados intensivos. O anestesiologista cuida do paciente como um todo. Durante a consulta pré-anestésica, existe a possibilidade de se discutir previamente com o paciente o planejamento da anestesia. O paciente receberá todas as informações necessárias e poderá autorizar ao anestesiologista a proceder à anestesia, a que eles chegaram a um consenso, diante do que o paciente deseja e do que o anestesiologista pode oferecer de acordo com o seu conhecimento atual sobre a anestesia.

    SAERJ
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